- Maria José Joaquim de Miranda

- 16 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 24 de abr.

Autora: Zezé Miranda
Seria exagero meu pensar que as avós foram feitas de nuvens do céu, que nos envolvem com um abraço fofo e branquinho nas horas difíceis, mesmo que já tenham partido para caminhos celestes?
Eu respondo e afirmo que avós são isso e muito mais. Seus corações não morrem, porque foram feitos por uma forma única de Deus, que despertam com os alardes de dor e de alegria dos seus netos.

Acho até que elas caminham com os Anjos da Guarda, à espreita de caminhos trilhados, para que os pequenos não se machuquem e os grandes não se decepcionem com as agruras da vida.
Fui extremamente abençoada, porque tive uma avó presente desde o meu nascimento até agora, segurando minha mão na velhice. Sinto sua presença! Sei que ela ainda caminha comigo!
Me acompanhava nas travessuras e me defendia quando eu tinha razão. Talvez seja dela que herdei essa dose de irreverência e inquietação de fazer silêncio. Era sempre notada quando chegava num ambiente de quietude. Adorava conversar, sem escolher interlocutores. Na sua simplicidade, entendia que somos todos iguais.
Analfabeta e sábia!
Como ela dizia, criou os filhos debaixo dos pés de café, nem por isso maldizia a vida pobre que levou. Como filha mais velha, criou cinco irmãos pequenos quando, precocemente, sua mãe faleceu.
Possuía uma fé inabalável.
Abria as portas para a vizinhança, rezando por todos contra "quebranto", "mal olhado", "lombriga", "mal jeito", "ar nos olhos", "ar na cabeça", "bucho virado", "cortar o medo". Tudo em nome de Deus e Nossa Senhora.

Também dividíamos aventuras que ainda estão vivas em minha memória, viajando de trem para visitar parentes em Araraquara e Americana. Só ela e eu, ainda menina! Foram as melhores viagens que fiz em toda a minha vida!!
Nos deu abrigo debaixo do seu teto, no início da nossa família, quando nos vimos desamparados.
Foi assim que aprendi a ser avó!! Tudo foi ao vivo, de coração aberto, sem desperdiçar nenhum detalhe.
Hoje, posso seguramente conclamar que cursei a melhor escola da vida, cujas aulas unicamente se portavam pelos exemplos diários de como ser mãe e avó.
Quanto aprendi e absorvi para toda a vida com o ser mais humano que conheci.
Apliquei e aplico, com orgulho, seus ensinamentos na criação dos meus três filhos e o meu papel de avó dos meus três netos.
Há quem diga que eu exagero, mas foi assim que aprendi que amar é doar-se, sem tirar a autoridade dos pais. Então, eu mimo mesmo meus netos. Me faço presente, mesmo os espreitando pelas frestas do dia a dia.
Nada foi em vão! A cada olhar, a cada gesto, todos os dias, colho retornos, com orgulho que me enche a alma.
Ao invés da soberba e vanglória, expresso minha gratidão, primeiramente a Deus e às lições da minha “Vó Nica”, que me guiaram para hoje me sentir a mãe e a avó mais feliz do mundo!
Sintam-se abraçados, meus filhos Liliana Maria de Miranda Ferreira, Luciano Mateus de Miranda e Fernanda Maria de Miranda, e meus netos Victor de Miranda Ferreira, Bruno de Miranda Ferreira e Lucas de Miranda.

Maria José Joaquim de Miranda ou "Zezé Miranda" formou-se professora em 1968 pela Escola Normal e Ginásio Estadual de Matão. Entre 1969 e 1974, lecionou em diversas instituições e localidades. Em 1975, ingressou na Câmara Municipal de Matão por concurso público, onde atuou até 2016. Também foi sócia-proprietária da empresa Quality Concursos Públicos, Assessoria e Consultoria Ltda., em parceria com Edson Aparecido Corrêa (China).



