- Renan Vicente

- 14 de abr.
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Atualizado: 24 de abr.

Autor: Renan Vicente
A voz da mulher não deve ser vista apenas como um som, mas como um manifesto de resistência e perseverança. Por muito tempo, o silêncio habitou a boca das mulheres, e suas vozes foram substituídas por lágrimas em um cenário que não as reconhecia como pessoas de direitos. Contudo, a história sempre permitiu que sussurros de coragem escapassem. Hoje, esses sussurros tornaram-se um coro potente que estremece as estruturas, embora ainda haja muito o que transformar, pois muitas mulheres ainda são impedidas de usarem suas falas para transformarem seus ambientes.
A voz feminina reivindica o espaço que sempre lhe pertenceu por direito. Não se trata apenas do ato de falar, mas de ser ouvida com profundidade. As mulheres não precisam que lhes deem "voz", pois elas já a possuem; o que necessitam é de escuta. Essa escuta deve ocorrer na ciência, na literatura, na música, na política e em todas as esferas, visto que suas vozes moldam o mundo. Além disso, essa voz reside na firmeza de educar filhos para um futuro mais justo e sem preconceitos.

Infelizmente, a voz de muitas mulheres ainda é frequentemente abafada
ou até mesmo interrompida, sendo, então, impedida de ecoar e de transmitir a existência feminina. A morte não é apenas a perda dos sinais vitais, mas o silenciamento da existência biopsicossocial e espiritual das vozes femininas. No entanto, essa tentativa de silenciamento não deve ser confundida com submissão. Nesse sentido, os psicólogos sociais Martín-Baró (El Salvador) e Cezar Góis (Brasil) afirmam que o esforço de uma pessoa para se tornar sujeito da própria realidade ocorre dentro de um contexto de dominação e exploração. Eles reforçam que a libertação é uma prática ativa. Logo, a voz da mulher é um instrumento de liberdade que destrava cadeados.
Na psicologia social, o discurso é compreendido como uma forma de ação. Como cita Cezar Góis, o que incomoda os opressores não é quem fala, mas o conteúdo do que é dito. É fundamental reforçar: a voz pertence a elas quando decidem sobre seus corpos, vidas e desejos. Quando não são respeitadas, é a voz que denuncia a agressão e as diversas formas de violência.
A voz feminina tem o poder de acolher, acalmar e iluminar mentes — como no caso das professoras. Cada palavra ecoada é como um tijolo na construção da proteção e da equidade. É o motor que impulsiona políticas públicas e o braço firme que sustenta a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao protegerem a si mesmas, as mulheres estendem esse manto de proteção aos seus familiares e à sociedade. No trabalho, suas vozes exigem respeito e reconhecimento justo, encerrando a era em que outros decidiam em seu nome.
Escutar as mulheres é um exercício de humildade e evolução; é permitir que sensibilidade e força caminhem juntas. Quando elas falam, o mundo ganha novas camadas de verdade, e a retórica da dominação desmorona. Essa voz é história viva: traz luz às pesquisas acadêmicas e rigor humanitário aos relatórios técnicos.
O mundo moderno só será pleno quando a voz feminina for ouvida sem julgamentos. Não se trata de um privilégio, mas de uma conquista inegociável que une ancestrais e futuras gerações. Que ninguém ouse abafar a essência que vem de dentro. O silêncio morreu; a palavra feminina agora é eterna. Ouvir, respeitar e ecoar é o compromisso necessário.
Que, neste Dia das Mães, elas sejam verdadeiramente escutadas, pois, afinal: a voz é delas!

Dr. Renan Vicente é psicólogo (CRP 06/152682), doutor em Ciências da Saúde e neuropsicólogo. Recentemente associado à Sociedade Brasileira de Neuropsicologia (SBNp), atua com foco na compreensão dos processos cognitivos e na promoção da saúde mental, unindo rigor científico e prática clínica especializada.



