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Cena da conferência de imprensa
  • Foto do escritor: Ana Maria Ignácio
    Ana Maria Ignácio
  • 14 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de abr.

Autora: Ana Maria Ignácio



Receber convite para escrever um artigo sobre “Dia das Mães e seu Legado” foi gratificante e, ao mesmo tempo, um voo na minha trajetória – que não é diferente da de muitas mulheres.


A trajetória da mulher na ocupação de espaços que historicamente eram reservados aos homens, sem dúvida, mostra uma transformação social de muita relevância, já que, por muito tempo, a capacidade da mulher era reduzida ao ambiente doméstico e, portanto, não tinha voz nem era escutada. Romper com essa estrutura patriarcal não foi apenas uma questão de oportunidade, mas o resultado de uma luta contínua e incansável por reconhecimento, direitos civis e dignidade humana.


O início dessa luta se deu lá atrás, quando, então, a mulher passou a integrar o cenário político, ou seja, conquistou o direito ao voto. Esse marco foi fundamental, pois estabeleceu a premissa de que a cidadania não possui gênero. Contudo, a luta continuou, só que agora recalculou a rota, pois nós, mulheres, queríamos ter nossos direitos de ocupar o mercado de trabalho, como, por exemplo, liderar empresas, atuar na ciência, na academia e em posições de poder institucional.


Mãe com seus filhos no sofá da sala

Em se falando de conquista profissional, ainda nos dias atuais há grande luta para nós, mulheres, conseguirmos romper com as “limitações” que a sociedade tenta nos impor, muitas vezes dizendo o que podemos e não podemos fazer, isto é, estabelecendo limites que não existem — ou, melhor dizendo, existem na cabeça delas.


Outra questão que merece ser lembrada é a desigualdade salarial. Mesmo diante de competências equivalentes, há mulheres que, além de provarem diariamente que são capazes no que fazem, carregam resquícios de visões anacrônicas sobre a capacidade feminina, já que sua “capacidade” foi encapsulada dentro dos contextos domésticos. Além das esferas públicas, a luta também se trava no âmbito do privado. A redistribuição das responsabilidades do cuidado, anteriormente impostas exclusivamente às mulheres, é um pilar indispensável para que elas possam exercer seu pleno potencial. A conciliação entre a carreira e a vida pessoal não deve ser vista como um fardo exclusivo, mas como uma responsabilidade compartilhada que exige políticas públicas de apoio e uma reeducação cultural profunda.


O empoderamento feminino contemporâneo, portanto, não é um movimento contra o outro gênero, mas uma busca pela justiça social. É a reivindicação de que o espaço de atuação de uma pessoa seja determinado pelo seu mérito e pelas suas aspirações, e não por construções sociais limitantes. O progresso alcançado até hoje é vasto, marcado por inúmeras figuras que desafiaram normas e abriram caminhos onde antes havia muralhas. Entretanto, é preciso reconhecer que a jornada ainda exige vigilância.


A conquista do espaço pela mulher é um processo irreversível, que beneficia a sociedade como um todo, ao promover maior equidade, inovação e equilíbrio. Olhar para o futuro implica garantir que as próximas gerações não enfrentem as mesmas restrições que suas antecessoras superaram com tanto sacrifício. A manutenção das conquistas e o avanço em direção a uma igualdade substantiva, e não apenas formal, constituem o compromisso central de uma sociedade que almeja ser, de fato, democrática e desenvolvida. Reconhecer essa luta é fundamental.


Finalizo este artigo reafirmando que o legado da mulher é: luta, resistência, resiliência e persistência. Um Feliz Dia das Mães para todas as mulheres que exercem sua função materna.


Foto de Ana Maria Ignácio

Ana Maria Ignácio é Assistente Social e Conselheira Tutelar, com atuação voltada à proteção de direitos e ao fortalecimento de famílias e comunidades. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a justiça social, a defesa da infância e a promoção da dignidade humana.


 
 
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