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Cena da conferência de imprensa
  • Foto do escritor: Wagner Anderson Galdino
    Wagner Anderson Galdino
  • 3 de jul.
  • 3 min de leitura

Autor: Wagner Anderson Galdino



Nasci em Americana. É lá que está registrado o início da minha história, mas a vida, às vezes, nos ensina que nascer em um lugar e pertencer a ele são coisas diferentes.


Ao longo dos anos, tive o privilégio de conhecer dezenas de cidades, capitais e países. Caminhei por ruas históricas, contemplei paisagens que pareciam saídas de cartões-postais e vivi experiências com as quais muitos sonham.


Vi o movimento frenético das grandes metrópoles, o charme das cidades europeias, a imponência de monumentos que atravessaram séculos e a beleza de cenários que a natureza esculpiu com paciência.


Área verde integrada ao complexo esportivo, utilizada para recreação e atividades ao ar livre.

E foi justamente nas voltas que compreendi algo importante. O lugar onde meu coração desacelera, onde minha memória encontra abrigo e onde minha história faz sentido chama-se Matão.


Há cidades que impressionam pela grandiosidade. Outras, pela riqueza histórica. Algumas, pelo turismo, pela arquitetura ou pela fama. Mas poucas conseguem oferecer algo muito mais raro: o sentimento de pertencimento.


Pertencer é reconhecer as ruas não apenas pelos nomes, mas pelas histórias. É encontrar rostos familiares. É saber onde estão guardadas as lembranças da infância, das conversas entre amigos, dos sonhos compartilhados e das batalhas vencidas. Pertencer é perceber que a cidade deixa de ser um ponto no mapa para se tornar uma extensão da própria identidade.


Existe uma frase atribuída ao escritor francês Antoine de Saint-Exupéry que diz: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” Talvez seja exatamente isso que aconteceu. Matão me cativou. E, em troca, tornou-se parte inseparável daquilo que sou e conquistou algo infinitamente mais difícil: fez-me sentir em casa!



Vista aérea da cidade de Matão - SP

Foi aqui que construí amizades, vivi desafios, celebrei conquistas e formei as lembranças que realmente definem quem sou. Foi aqui que minha família encontrou espaço para criar raízes, que deixamos de ser visitantes para nos tornarmos parte da paisagem humana que faz uma cidade existir.


E talvez seja isso que realmente diferencia um lugar especial. Não são os monumentos, nem os cartões-postais. São as pessoas que transformam espaços em lembranças e fazem da rotina algo que, só mais tarde, percebemos ter sido extraordinário.


A chamada Terra da Saudade carrega um nome curioso. Saudade costuma ser associada à distância, à ausência, ao que ficou para trás. Mas existe outra forma de saudade: aquela que sentimos mesmo estando presentes.


A saudade que nasce da consciência de que determinados momentos são preciosos justamente porque passam. E é essa sensação que encontro quando observo a cidade que ajudou a construir minha história.


Porque o lugar no mundo não é necessariamente o mais bonito, nem o mais rico, nem o mais famoso. O lugar no mundo é aquele onde a alma encontra endereço.


Talvez por isso eu me recorde de uma passagem de “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, quando escreve que “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. A vida é uma travessia. E, na minha, Matão não foi apenas uma parada. Tornou-se destino.


E, quando penso na minha história, percebo que ela poderia ter começado em qualquer lugar e, ainda assim, depois de tantos quilômetros percorridos, tantas paisagens admiradas e tantos horizontes alcançados, posso afirmar com convicção serena: Matão é o meu lugar no mundo.


Foto de Wagner Anderson Galdino

Wagner Anderson Galdino, advogado, psicólogo, pós graduado em neuropsicologia com ênfase em reabilitação cognitiva, transtornos do espectro autista e  Gestalt-terapia.

 
 
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