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Cena da conferência de imprensa
  • Foto do escritor: Wagner Anderson Galdino
    Wagner Anderson Galdino
  • 13 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de abr.

Autor: Wagner Anderson Galdino



Há datas que passam pelo calendário; outras atravessam a alma. O Dia das Mães pertence a esta última categoria. Não se trata apenas de flores, almoços em família ou mensagens prontas — trata-se de memória. E memória, quando é verdadeira, não é estática: pulsa, ensina e, sobretudo, cobra de nós coerência com aquilo que recebemos.


Mãe abraçando seu filho

Quando penso em mães, não penso primeiro em idealizações. Penso em resistência, na tenacidade, em resiliência, em superação. Penso na minha avó Maria de Lourdes, que viveu em um tempo onde as escolhas eram escassas e as responsabilidades, infinitas. Mulher de poucas palavras e muitos gestos, que transformava escassez em sustento e silêncio em proteção. Não havia discursos motivacionais, mas havia presença. Não havia abundância material, mas havia uma disciplina quase invisível que sustentava a casa. Ela não falava sobre caráter — ela o impunha pela forma como vivia. Depois, penso em minha mãe Tereza. Já em outro tempo, mas não em outro desafio. Criar seus 03 filhos Wagner, Flávia e Willer Ricardo nunca foi tarefa simples, mas para quem enfrenta limitações financeiras, ausência de apoio e as pressões da vida cotidiana, isso deixa de ser tarefa e passa a ser missão. E missão não admite desistência. Nunca desistiu!


É fácil romantizar a maternidade quando se observa de fora. Difícil é reconhecer o custo emocional de quem sustenta uma família quando tudo parece insuficiente. As noites mal dormidas, as renúncias silenciosas, as decisões tomadas sem garantia de acerto. Mães reais não têm o luxo da perfeição — têm a obrigação da persistência. E, ainda assim, educaram.

Educaram não apenas no sentido formal, de colocar filhos na escola, mas no sentido mais profundo: ensinar limites, responsabilidade, respeito. Moldaram caráter quando não havia recursos, quando o mundo não colaborava, quando o cansaço poderia facilmente ter vencido.


Existe uma frase que atravessa gerações: “Não posso te dar tudo, mas posso te dar o que importa.”

E, de fato, deram.

Deram exemplo.

Deram estrutura.

Deram uma base que, muitas vezes, só é compreendida anos depois, quando a vida nos coloca diante de escolhas semelhantes.



Mãe em momento feliz com filho

As memórias que guardamos não são feitas apenas de momentos felizes. São feitas, principalmente, das dificuldades superadas. O valor de uma mãe não está no que foi fácil — está no que ela enfrentou sem permitir que os filhos sentissem o peso completo da realidade. E talvez esse seja o maior legado: proteger sem iludir, ensinar sem endurecer, amar sem condições. Há também uma verdade incômoda, mas necessária: nem sempre reconhecemos isso a tempo. A vida adulta tem o hábito de nos fazer entender, tarde demais, aquilo que nos foi entregue desde cedo. O que antes parecia exigência, revela-se cuidado. O que parecia rigidez, mostra-se preparação.


O Dia das Mães, portanto, não deveria ser apenas uma celebração. Deveria ser um momento de reflexão. Um convite à honestidade: o que temos feito com o legado que recebemos? Porque herdar valores não é suficiente. É preciso honrá-los!


As histórias de nossas mães e avós não são apenas lembranças afetivas — são referenciais éticos. São parâmetros de conduta. São, em última análise, um espelho que nos pergunta, em silêncio: estamos à altura?


As doces lembranças existem, sim. Mas não são doces por acaso. São doces porque foram construídas sobre sacrifícios que, muitas vezes, não vimos — ou não quisemos ver.

E talvez seja esse o ponto central: memória sem consciência é nostalgia. Memória com consciência é responsabilidade.


No fundo, todos carregamos algo delas: um gesto, uma frase, uma forma de enfrentar o mundo. Elas seguem existindo nas decisões que tomamos, na firmeza que encontramos quando tudo parece ruir, na capacidade — às vezes improvável — de continuar.

Neste Dia das Mães, mais do que lembrar, é preciso compreender. Mais do que homenagear, é preciso reconhecer. E, sobretudo, mais do que agradecer, é preciso continuar, porque o verdadeiro legado de uma mãe não está no que ela disse. Está no que ela suportou — e no que, silenciosamente, nos ensinou a suportar também.


Talvez nunca consigamos retribuir à altura. E talvez nem seja esse o ponto!



Foto de Wagner Anderson Galdino

Wagner Anderson Galdino, advogado, psicólogo, pós graduado em neuropsicologia com ênfase em reabilitação cognitiva, transtornos do espectro autista e  Gestalt-terapia.

 
 
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