- Marcia Maria Soares Batista

- 30 de abr.
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Autora: Marcia Maria Soares Batista
Ser mãe sempre foi, para mim, mais do que um desejo — era um chamado profundo, quase silencioso, que ecoava dentro do coração. Um sonho que, com o tempo, ganhou diferentes caminhos, formas e significados. Hoje, ao olhar para minha trajetória, reconheço que minha maternidade foi construída com coragem, fé e um amor que aprendeu a florescer tanto na espera quanto no encontro.
A fertilização in vitro (FIV) foi um dos primeiros caminhos que trilhei. Um percurso marcado por expectativas, incertezas e uma entrega constante. Cada etapa exigiu paciência e confiança — não apenas na ciência, mas principalmente em Deus, que sustentava minhas esperanças mesmo nos momentos mais frágeis. Quando finalmente segurei meu filho nos braços, amamentei, compreendi que todo o processo havia sido um preparo para aquele instante único: o de reconhecer a vida que chegava como um presente precioso e divino. Tive ali a certeza de que se tratava de um ser de luz, um grande amor, uma afinidade de longa data que retornava ao meu encontro.

Mas minha história como mãe não se encerrou ali. Ela se ampliou, ganhou novos contornos e um significado ainda maior através da adoção. Se a FIV me ensinou sobre perseverança, a adoção me ensinou sobre acolhimento incondicional e a aceitar a ajuda de familiares, amigos e companheiros de trabalho no processo de recuperação da saúde do meu filho. Foi um encontro de almas, onde o amor se enraizou no coração. Ser mãe por adoção é entender, diariamente, que os laços mais fortes não são apenas os biológicos, mas aqueles tecidos com cuidado, presença e afeto.
Minha alegria como mãe se revela nos pequenos e grandes momentos do cotidiano. Levar meus filhos para andar de bicicleta, por exemplo, é mais do que uma atividade simples — é uma metáfora viva da educação. Segurá-los no início, incentivá-los a tentar, permitir que errem e depois vê-los ganhar autonomia… tudo isso reflete o próprio processo de formar seres humanos. Há quedas, há medo, mas também há superação e crescimento.
Nos eventos artísticos e culturais, encontro outra dimensão da maternidade: a de apresentar o mundo aos meus filhos. Teatro, música, exposições — cada experiência é uma oportunidade de despertar sensibilidade, criatividade e senso crítico. São momentos em que aprendemos juntos a apreciar a beleza, a diversidade e a expressão humana.
A natação, por sua vez, ensina disciplina, coragem e resiliência. Dentro da água, eles descobrem seus limites e potencialidades. E eu, à margem da piscina, observo com o coração cheio de gratidão a Deus por cada conquista, aprendizagem e superação. É nesses instantes que percebo o quanto cresceram — não apenas fisicamente, mas como indivíduos.
Entretanto, educar não é tarefa simples. Os desafios são constantes, especialmente quando se busca uma formação baseada na valorização humana e nos princípios cristãos. Vivemos em um mundo acelerado, muitas vezes marcado pelo individualismo e pela superficialidade. Ensinar valores como empatia, respeito, solidariedade, amor, esperança e fé exige coerência, presença e exemplo diário.
Procuro, dentro das minhas limitações, mostrar aos meus filhos que cada pessoa tem dignidade, que o amor ao próximo é essencial e que a fé pode ser um alicerce seguro diante das incertezas da vida. Nem sempre é fácil. Há dúvidas, erros e recomeços. Mas há também a certeza de que educar é um ato contínuo de semear.
Ser mãe, para mim, é viver em constante aprendizado. É entender que não existe um único caminho, mas múltiplas formas de amar. A FIV e a adoção não são apenas formas diferentes de maternidade — são expressões complementares de um mesmo amor, que se constrói na entrega, na paciência e na esperança.
Hoje, minha maior alegria está em ter me tornado mãe, buscando força para encaminhá-los bem na vida. Peço a Deus que me conceda a graça de viver, todos os dias, a beleza dessa missão! Nos risos compartilhados, nas descobertas, nos desafios e nas vitórias, encontro o sentido mais profundo da minha história: amar e ser amada, incondicionalmente, pelos meus dois filhos extraordinários.

Marcia Maria Soares Batista é comunicadora social e jornalista, especialista em História, Cultura e Sociedade, professora e mestre em Ciências da Educação pela USP de Ribeirão Preto.



