- Claúdio Menezes

- 7 de mai.
- 1 min de leitura

Autor: Cláudio Menezes
Não sou apenas
o que vês
neste jardim
de passagem.
Sou o vento
que escolhe
a direção
da própria viagem.
Entre as ruas
do Paraíso
e o sol do Centenário,
desenho no ar
o meu novo
itinerário.
Liberdade
é palavra
que o vento
gosta de levar,
mas autonomia
é o remo
que a gente aprende
a segurar.
Não é
um romper de laços.
É um saber escolher
quais flores
em meu peito
eu desejo
ver florescer.
Emancipar-se
é como
o desabrochar
de uma rosa:
um movimento lento,
uma escolha
silenciosa.
É saber
que o meu nome
não é apenas
o que me deram,
mas o território firme
das conquistas
que vieram.
Caminho por Matão
com passos
de quem se conhece.
O cansaço
é apenas sombra
que ao entardecer
fenece.
Pois ser dono de si
é a maior
das poesias,
um canto
que se renova
no fluir
dos nossos dias.
Deixo que o tempo leve
o que não me pertence
mais,
e guardo
na palma da mão
os meus sonhos
essenciais.
Pois no Paraíso da alma,
onde a vontade
é rainha,
eu sou
o caminho,
a partida
e a estrada
todinha.

Cláudio Menezes é jornalista e pesquisador em comportamento social. Formado em Comunicação Social pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), residiu em Matão durante parte da juventude e hoje atua como diretor de projetos culturais e desenvolve trabalhos voltados à literatura, identidade social e comportamento contemporâneo.



