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Cena da conferência de imprensa
  • Foto do escritor: Sheilla Moraes
    Sheilla Moraes
  • 30 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 10 de mai.



Autora: Sheilla Moraes



Falar sobre o Dia das Mães é tocar em algo que vai muito além do que os olhos podem ver. É acessar um campo invisível, porém profundamente presente, onde vivem as memórias, as emoções e as energias que moldam quem somos.


Antes mesmo de existir no mundo físico, todos nós fomos acolhidos em um espaço sagrado: o ventre. E é ali que começa o primeiro lar. O primeiro ambiente. A primeira experiência energética que carregamos pela vida inteira.


Ser mãe, nesse sentido, não é apenas gerar um corpo — é abrir um portal. É ser canal entre o invisível e o visível. É permitir que uma alma encontre caminho, direção e pertencimento.


E quando olho para a minha trajetória, compreendo que muito do que eu crio hoje, dos espaços que transformo, das vidas que toco… nasce dessa compreensão mais profunda sobre o que é acolher. Porque acolher não é apenas organizar um ambiente bonito. É sentir. É perceber. É harmonizar aquilo que não se vê, mas que influencia tudo.


Mãe e filhos em momento de brincadeiras

O legado de uma mãe não está apenas nas palavras que ela disse, mas principalmente na energia que ela sustentou dentro de casa. Está no clima do ambiente, nas emoções não ditas, nos silêncios, nos gestos, na forma como o amor — ou a ausência dele — se manifestou.


Cada espaço guarda memórias. Cada parede absorve histórias. Cada canto carrega uma vibração. E nós, muitas vezes sem perceber, continuamos reproduzindo esses padrões ao longo da vida.


Por isso, o Dia das Mães também é um chamado para a consciência. Um convite para olhar para esse legado com verdade — não com julgamento, mas com presença. O que você herdou? O que você sente quando lembra do seu primeiro lar? Quais emoções ainda habitam dentro de você? E o que você quer deixar?


Honrar a mãe não significa dizer que tudo foi perfeito. Significa reconhecer que tudo teve um lugar no seu caminho. Que tudo contribuiu, de alguma forma, para a pessoa que você se tornou. E, a partir desse reconhecimento, nasce algo poderoso: a possibilidade de transformação.


Porque, quando você toma consciência, você deixa de repetir automaticamente e passa a escolher conscientemente. E isso também é maternar.


Maternar a si mesma.


Maternar seus espaços.


Maternar a sua, a nossa história.


Na minha essência, existe esse chamado. Um chamado de reconectar pessoas com seus lares internos e externos. De ajudar a reorganizar não apenas móveis, mas emoções. Não apenas ambientes, mas histórias.


Porque um espaço alinhado cura. Um ambiente consciente acolhe. E uma casa com alma sustenta a vida de uma forma diferente.


O legado que eu escolho construir hoje não é apenas sobre estética. É sobre energia. É sobre presença. É sobre verdade. É sobre criar espaços onde as pessoas possam respirar, sentir, ressignificar e se reconectar com quem realmente são.


E talvez esse seja o maior ensinamento que vem do campo materno: a capacidade de sustentar a vida com amor, mesmo nos dias difíceis. A capacidade de continuar, de cuidar, de transformar. Ser mãe não é apenas um papel, é uma construção diária. É presença, é ausência, é tentativa, é aprendizado. É ensinar sem perceber que está ensinando. É deixar marcas que muitas vezes só serão compreendidas anos depois, quando a vida nos coloca diante das mesmas escolhas, dos mesmos medos e das mesmas dúvidas.


O Dia das Mães, então, se torna um portal de cura. Um momento de olhar para dentro de nós e agradecer pelo que foi liberado, perceber o que precisa ser solto e abrir espaço para o novo. Porque, assim como uma casa pode ser reorganizada, a nossa história também pode. E dentro de cada uma de nós existe esse poder.


O poder de ressignificar.


De reconstruir.


De criar um novo legado.


Um legado mais consciente. Mais leve. Mais alinhado com a alma. E é nesse lugar que eu escolho estar. Entre o visível e o invisível. Entre o espaço e a alma.


Entre o que foi… e o que ainda pode florescer.


Foto de Sheilla Moraes

Sheilla Moraes é Designer de interiores, mentora e palestrante, com atuação no segmento de alto padrão. Desenvolve projetos residenciais e comerciais que aliam estética, funcionalidade e bem-estar, além de oferecer consultorias especializadas e treinamentos. É criadora do método Alma e Espaço, onde integra design, percepção do espaço e a experiência do usuário na transformação dos ambientes.

 
 
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