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Cena da conferência de imprensa
  • Foto do escritor: Denise C. Minelli
    Denise C. Minelli
  • 24 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 8 de mai.


Autora: Denise C. Minelli



Com muito orgulho, sou a superintendente do Hospital Carlos Fernando Malzoni. E, depois de 38 anos dedicados a esta instituição, posso afirmar, com a serenidade de quem viveu o hospital por dentro: se esta pessoa jurídica ganhasse corpo e voz, seria uma mulher. Mais do que isso, seria uma mãe.


Digo isso com todo o respeito aos homens que ajudaram a construir esta história — diretores, empresários, voluntários, provedores, beneméritos. Todos foram fundamentais. Mas o espírito do hospital, naquilo que ele tem de mais íntimo, sempre me pareceu feminino. Porque o hospital acolhe, protege, alimenta, vigia, consola, previne, trata e permanece acordado quando o mundo inteiro pede descanso. E essa presença constante, silenciosa e forte tem muito de maternidade.


Talvez não seja por acaso. Desde o início, a presença feminina foi decisiva na formação desta casa. Entre os nomes marcantes da nossa história está Sinharinha Frota, benemérita cuja contribuição ajudou a tornar possível a construção do hospital. Mais tarde, em 1937, a chegada das sete irmãs alemãs, trazidas por Francisco Malzoni, deu início não apenas às atividades do Hospital de Caridade, mas também a uma forma de cuidado profundamente marcada pela dedicação feminina, sagrada e maternal.


Ao longo dos seus 113 anos, o hospital foi sendo sustentado, em todos os setores, pela presença decisiva das mulheres. Isso se vê ainda hoje. Em um quadro de mais de 1.050 colaboradores, com predominância feminina, é comum encontrarmos, dentro da mesma instituição, filha, mãe e avó, cada uma exercendo sua profissão e, ao mesmo tempo, reafirmando esse elo entre a mulher e a preservação da vida.


Prédio do Hospital Carlos Fernado Malzoni em Matão-SP

Eu mesma conheço essa realidade de perto. Sou mãe, sou avó, sou enfermeira, sou filha. E sei que a maternidade, quando somada à vocação pelo cuidado, traz consigo renúncias que nem sempre aparecem. Para cumprir minha missão profissional, muitas vezes precisei deixar meus três filhos sob os cuidados preciosos de minha mãe, dona Yone, hoje com quase 96 anos de idade. Foi ela quem sustentou, com amor e firmeza, aquilo que eu não podia acompanhar de perto em todos os momentos. Além dela, dona Maria Lavezzo também fez o meu papel de mãe quando meus filhos eram pequenos. Se hoje consigo olhar para minha trajetória com paz, é porque reconheço que me dediquei a uma causa grandiosa: cuidar de quem cuida, servir aos que sofrem, ajudar a manter viva uma instituição que recebe, todos os dias, os filhos e filhas da vida.


E talvez esteja aí a essência de tudo. Mãe não é apenas aquela que gera. É também aquela que ampara. A que recolhe no colo moral os que chegam feridos pelas circunstâncias. A que oferece direção, abrigo e força para recomeçar.


Minha mãe, Yone, destaca uma bela reflexão atribuída a Amélia Rodrigues para selar esta crônica com uma mensagem que reafirma a ideia de que o hospital é mulher, é mãe, é cuidado, é amor: “A maternidade estende os seus braços ainda mais e glorifica-se na mestra, na enfermeira, na assistente social, na médica, na sacerdotisa que vivem em função dos filhos da vida”. Nessa imagem tão bela, reconheço o hospital que conheço. Reconheço as profissionais que aqui servem. Reconheço a grandeza das mulheres que fazem do cuidado uma missão cotidiana.


E a mensagem segue de forma ainda mais comovente, ao falar desses seres que chegam “como aves feridas pelas setas das vicissitudes” e se aninham no coração daqueles que os recebem, até readquirirem forças para seguir adiante. Não é exatamente isso que um hospital faz? Recebe os enfraquecidos, os assustados, os esquecidos, os que perderam o rumo por um instante e lhes oferece o necessário para que possam, um dia, voltar a caminhar com as próprias forças.


Neste Dia das Mães, penso que o hospital se parece com essa maternidade ampliada de que fala Amélia Rodrigues: “Sempre solidária, a maternidade é vínculo de amor entre o Criador e a criatura”. Talvez seja essa a definição mais alta e mais verdadeira do que buscamos viver aqui todos os dias. O hospital é técnica, é ciência, é estrutura, é responsabilidade. Mas, em sua essência mais profunda, o hospital é amor em vigília.


E é por isso que, para mim, o Hospital Carlos Fernando Malzoni tem alma de mulher. Tem coração de mãe.


Foto de Denise C. Minelli

Denise C. Minelli é filha, mãe, avó e superintendente do Hospital Carlos Fernando Malzoni (HCFM) de Matão - SP.

 
 
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