

Autor Sérgio Floriano
O sol nasce
no Jardim do Bosque
com cor de fome
e de medo,
mas hoje
a mulher decidiu
que o silêncio
não será seu segredo.
A mão que ele levanta,
pesada de covardia
e de vinho,
não vai mais encontrar
o rosto dela
caído pelo caminho.
No meu diário
escrevo
com letras de ferro
e de brasa:
lugar de homem que bate
não é
dentro de casa.
A parede tem ouvidos,
mas a vizinha
agora tem voz,
e a justiça,
que era cega,
hoje olha
por todas nós.
Não levanta a mão pra ela.
Essa mão
que devia plantar,
que devia ser cais,
não pode marcar
a pele
de quem já carrega
fardos demais.
O corpo da mulher
não é lixo,
não é chão
de pisar.
É santuário sagrado
que ninguém
tem o direito
de violar.
Aqui no Bosque,
entre o mato
e a flor
que insiste em brotar,
estamos tecendo
uma rede
pra ninguém mais
se calar.
O papel aceita tudo,
até o choro
que a noite traz,
mas a vida exige respeito
e o direito
de viver em paz.
A caneta de Sergio Floriano
vira agora
um escudo,
pra dizer
que em Matão
o amor
não pode ser mudo.
Não levanta a mão pra ela.
O grito
já foi dado:
mulher é vida,
é legado,
e nunca mais
será silêncio
nem abandono.

Sérgio Floriano é publicitário, redator e apoiador de causas sociais ligadas à cultura, associações comunitárias e valorização da comunidade negra. Atua na produção de conteúdos voltados ao cotidiano e às questões sociais, além de exercer o cargo de Diretor de Desenvolvimento e Gestão da Espaço Matão Comunicações.



