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Cena da conferência de imprensa
Foto do escritor: Sérgio Floriano
Sérgio Floriano
7 de mai.
2 min de leitura

Autor Sérgio Floriano



O sol nasce

no Jardim do Bosque

com cor de fome

e de medo,


mas hoje

a mulher decidiu

que o silêncio

não será seu segredo.


A mão que ele levanta,

pesada de covardia

e de vinho,


não vai mais encontrar

o rosto dela

caído pelo caminho.


No meu diário

escrevo

com letras de ferro

e de brasa:


lugar de homem que bate

não é

dentro de casa.


A parede tem ouvidos,

mas a vizinha

agora tem voz,


e a justiça,

que era cega,

hoje olha

por todas nós.


Não levanta a mão pra ela.


Essa mão

que devia plantar,

que devia ser cais,


não pode marcar

a pele

de quem já carrega

fardos demais.


O corpo da mulher

não é lixo,

não é chão

de pisar.


É santuário sagrado

que ninguém

tem o direito

de violar.


Aqui no Bosque,

entre o mato

e a flor

que insiste em brotar,


estamos tecendo

uma rede

pra ninguém mais

se calar.


O papel aceita tudo,

até o choro

que a noite traz,


mas a vida exige respeito

e o direito

de viver em paz.


A caneta de Sergio Floriano

vira agora

um escudo,


pra dizer

que em Matão

o amor

não pode ser mudo.


Não levanta a mão pra ela.


O grito

já foi dado:


mulher é vida,

é legado,


e nunca mais

será silêncio

nem abandono.



Foto de Sérgio Floriano

Sérgio Floriano é publicitário, redator e apoiador de causas sociais ligadas à cultura, associações comunitárias e valorização da comunidade negra. Atua na produção de conteúdos voltados ao cotidiano e às questões sociais, além de exercer o cargo de Diretor de Desenvolvimento e Gestão da Espaço Matão Comunicações.

 
 
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