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Cena da conferência de imprensa
  • Foto do escritor: Eduardo Waack
    Eduardo Waack
  • 6 de abr.
  • 1 min de leitura

Atualizado: 24 de abr.

Autor: Eduardo Waack



Não é um país que sofre,

É uma mãe que chora.

São pequenas tragédias cotidianas,

Dramas invisíveis.

São meninos e meninas

De uma nação esfacelada.


São homens e mulheres tolhidos

Em sua plena liberdade.

São perdas, percalços, soluços

Que a urgência faz esquecer.

Sangrar o peito silencioso

Pois que a voz é emudecida.


São carinhos inocentes

E mãos frágeis suplicando ajuda

Uma teimosia insubmissa.

Afetos que se encerram

Sorrisos apagados, olhos perdidos

Em busca de horizontes.


Não é João, Maria ou Mané,

São milhões de brasileiros

Em seu drama individual.

Sem posses, sem chances

Excluídos. É um barco à deriva

Num oceano em chamas.


É uma letra morta, é o descrédito,

O absurdo feito normal.

De joelhos, alquebrados.

Invisíveis, assombrados.

Não é somente retórica, é a dor

Da vida desaproveitada.



Caricatura de Eduardo Waack

Poeta e Escritor, Eduardo Waack é autor do livro de poemas “Canções do Front” (1986), obra que marca sua trajetória literária. Com uma produção pautada pela sensibilidade e pelo compromisso com a expressão cultural, constrói ao longo das décadas uma presença consistente na poesia brasileira contemporânea.






 
 
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